quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Cartas - I
"A vida tem sido amarga, meu bem, acho que por isso cismei com aquela ideia idiota de te mandar um pedaço de bolo. Queria adoçar seus dias de qualquer jeito, trazer um raio de sol nesses tempos nublados e cinzentos. Como foi inviável lhe mandar o bolo, mando esta carta com a mesma doçura. Cartas estão fora de moda, mas não me importo, sou demodê: Escrevo cartas, faço confissões e gosto de pessoas. As vezes gosto muito de algumas delas. Como de você."
Páginas - II
"Estava conversando com uma amiga há tempos atrás e não conseguia de forma alguma, entender porque ela afirmava com tanta certeza que não queria amar ninguém. Ora, o amor é um sentimento tão bonito... Tempo passado, encontrei novamente com essa amiga e lhe dei um abraço. Pedi perdão por tê-la questionado. Porque eu fui fundo. Acreditei piamente na beleza e fluidez do amor. Me joguei sem pára-quedas. E quando você se joga num abismo sem pára-quedas, não se deve esperar que haja uma nuvem sobre o chão pára ampara-lo em sua queda Porque não há. Não digo para não pular do abismo. Pule. Mas abra o pára-quedas com todas as suas forças. Porque o tombo é feio. Dói. E eu não sei se sara." - PC
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Páginas - I
"Não que eu fosse mal amada - eu era, eu fui e acredito sinceramente que sempre serei - mas simplesmente não dava pra continuar. Eu tomava todo o tipo de cuidado, havia seguido todas as regras, era moça direita, ora pois. E havia também descuidado de tudo, havia quebrado todos os códigos de conduta, virado puta, rasgado o verbo e a roupa. E nada surtiu efeito. Nenhuma tentativa havia resultado em nada diferente de frustração. Isso tudo era uma grande merda porque todos diziam que um dia eu iria encontrar alguém, ou que eu não estava procurando direito, ou que o segredo era não procurar, ou que eu tinha pressa. Eu realmente tinha pressa. Eu tinha pressa de ser feliz, porque sempre fui incapaz de obter meus momentos de felicidade plena sozinha. Eu precisava de um outro ser para realizar isso. Em comunhão. Mas isso não era pra mim. Aliás, não sei porque escrevo no passado. O quadro atual é este. O mesmo de ontem. Mas amanhã será diferente. Eu sei que não será. Mas eu me apego a essa esperança. Acho que é isso que me faz acordar todos os dias." - PC
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Circular
"Quando dei por mim, estava escrevendo de novo. Mas para outra pessoa. Estava pensando de novo, sorrindo de novo. Mas para outro alguém. Eu sentia calor no frio, frio no calor, borboletas no estômago e todas as frescuras que se sente no início daquela palavra que eu tinha desaprendido a pronunciar e excluído do meu vocabulário. Sentia vontade, saudade. E acima de tudo, sentia medo." - PC
quarta-feira, 11 de maio de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
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